depoimentos
Niterói, 25 de maio de 2004
Caro Naldo Velho
Cá estou, exorcizando meus fantasmas, em meio às brumas que invadem
meu quarto e dão o exato tom ao meu estado de espírito.
Lembrei-me de você, principalmente porque sei que hoje é dia de
evento músico-poético. Lembro-me do nosso primeiro contato, quando
você me enviou um e-mail, falando sobre seu receio de partir desta vida
sem que seus escritos tivessem sido divulgados. Algumas mazelas, realmente, eram
preocupantes, mas você as foi vencendo uma a uma. Sabemos que a luta continua.
Os adversários é que se modificam. Não desista. você é guerreiro
nato.
Bastou você postar alguns poemas seus nas listas, para que conquistasse
a Net. Uma legião de admiradores se deleitava com o seu estilo de fazer poesia.
você se anima e decide conhecer esse universo virtual. Sente todo o carinho
que vai sendo direcionado a você, se empolga, fica um tempo, mas...um dia,
dá adeus a esse universo, para vivenciar seus sonhos no universo real. você
queria ampliar seus horizontes. Talvez o mesmo anseio que me domina agora.
Hoje, acompanhando seu sucesso através dos eventos em Niterói e Rio
de janeiro, onde você mescla músicas e poesias , sinto que, a cada
espetáculo, está mais solto, seguro do trabalho que desempenha. você é,
de fato, um desbravador!
Suas músicas falam de espiritualidade, da crença no homem novo que existe
dentro de nós, mas que cismamos em nutrir o velho...Fala de amor, da energia sexual,
da vida!
Caro amigo, como disse antes, vivo dias nebulosos, mas, no momento, essa claridade
que se impõe quando escrevo a você faz com que eu seja envolvida por energias
benéficas.
Escrevo, acima de tudo, para pedir-lhe que continue esse trabalho. É
uma espécie de sementeira do bem. Que você e todos esses seres sensíveis
que o acompanham nesse exercício de bem- viver, consigam o melhor e maior bem
do mundo: levar o amor ao coração das pessoas. É essa sua missão
e você sabe disso.
Vejo um raio de sol adentrar nesse quarto cansado de brumas.E me parece ouvir,
ao longe, você declamar:
"Quero quebrar a vidraça,
arrombar a janela,
mergulhar sobre a praça,"
Poema de Naldo Velho: "Quero quebrar a vidraça"
Como sempre, declamando com brilho, emoção, transmitindo a nós seus
sentimentos mais profundos. você nunca foi de esconder suas emoções, suas
verdades. É íntegro, leal, amigo.
Quero quebrar , como você, a vidraça! E mergulhar em busca dos meus sonhos!
Sua amiga de muitas vidas,
Belvedere Bruno
Poeta e Jornalista de Niterói
Isto aqui vai parecer um blog! Blagh!! Blasfêmia?
Boflanense. Podia ser blofanense para ficar consonante. Mas não
é! É botafogo-flamengo-fluminense aglutinado, agrupado do jeito do Ronaldo
- é assim que o chamo. Tínhamos 12 ou 13 anos quando ele saiu com essa. Tinha
o verbo solto, palavras fortes. Tocava um violão diferente, bordão bem
tangido, acordes menores e dissonantes. Acho que, até hoje, o faz. Fumávamos
Continental e Lincoln, sem filtro - cigarro de macho - surrupiados do Seu Araújo,
eu acho.
Reencontramo-nos agora, há pouco tempo. Trinta e poucos anos só foram suficientes
para colecionar experiências de vida. Conservamos a essência.
Lulla Belem - 10/08/2004
http://indbras.net/
Ronaldo Buonincontro, naldovelho, meu poeta preferido, como o trato intimamente.
Grande poeta, estilo próprio e moderno, escreve, como nenhum
outro, sobre as mais variadas fases da vida. Expressa-se , com muita sutileza,
sobre o amor, desde o fraternal ao carnal, de maneira a não levar ao leitor, constrangimento.
Ao contrário, envolve-o no lirismo da paixão !!
Tem para com os vocábulos uma familiaridade incrível, principalmente, quando
descreve um fato de nosso cotidiano em que deixa a impressão do vivenciar daquilo
que fora narrado.
Como amigo, dispensa adjetivos, comentários por se tratar de uma pessoa idônea,
leal para com seus princípios: familiar, amizade e profissional.
Naldo sempre me surpreende, pois mesmo não estando presente em nosso dia dia,
pelos motivos por ele expostos, aparece de repente quando estamos em dificuldades.
Este é o NaldoVelho que conheço!
Parabéns meu amigo, muito sucesso em seu novo empreendimento!
S. Jose do Rio Preto, 10/08/04
Olga Kapatti.K - Owner - Diretora Geral de Eventos - Poesias e Atualidades
- O Grupo Forte da Net
olga.kapatti@terra.com.br
http://www.stationary.olga.kapatti.nom.br
Sobre o trabalho de NaldoVelho:
Naldo é aquele galante cavalheiro que todo mulher sonha.
Em seus versos está sempre apaixonado e fazendo a corte para a mulher amada. Romântico,
sensível, musical, sua poesia encanta os ouvidos, os olhos e o coração. Alguns
versos dariam canções matavilhosas. Um poeta de primeira grandeza nesse universo
brasileiro.
Claudia Villela de Andrade
http://www.claudiavilleladeandrade.prosaeverso.com
http://www.paxpoesis.hpg.ig.com.br
http://www.lustudio.ppg.br/cvillela/index.html
http://www.gaiolaberta.com/
http://www.claudiavilleladeandrade.mayte.us/
O nome da poesia
Rosa Pena
Bruxelas abaixo de zero. Rio de Janeiro calor infernal.
Casacos de pele, biquínis fio-dental.
Dramaticidade, imprevisão, paredes nuas, ruas sujas, matinê, fim de noite, ironia,
lágrimas, big loiras, xadrez, elevador, saudades, boeings, mar, urgência, blefe,
fantasias, nau velha, telefone tocando sem parar, ansiedade, moscas zumbindo,
gotas de Chanel número 5, mulheres se vaporizando com sprays, orgasmos inesperados,
frontal, a camada de ozônio cada vez mais sem vez, cinzeiro lotado, Naldo Novo,
lágrimas furtivas, gavetas de recordações atulhadas.
O animal homem?
Permanece solitário.
Respiração acelerada, coração de smoking dançando nas lembranças do passado.
-Pixinguinha, em vinil ou cd?
-Alô num fixo ou num celular?
No auge da paixão tanto faz.
Coração de jeans gritando em 2004.
Ah! Poeta não tem prazo de validade.
Poesia nunca teve idade.
Amor sempre conseguiu parar o relógio.
Doce e perverso em seu lirismo, apaixonado em demasia em seus versos, esse bendito
homem sonhador.
A lua quieta o espia. Aquele que com palavras toma o seu lugar.
Noite de eclipse e o mar prateado.
Com licença agora, vou pegar meu uísque e continuar lendo.
Minha fantasia pede novamente seu melhor alimento.
O nome?
- Naldo Velho.
agosto de 2004
NaldoVelho - Eu o chamo ...
... poeta luxento - seus lindos poemas delicados, sensuais, intimistas
- um luxo só! Seus versos trabalhados com naturalidade e esmero fluem como água
límpida, riso de criança, e esse estilo naldovelho, de buscar os sentimentos lá
nas entranhas e deixá-los jorrar, torna-o comovente - dos poetas que conheci na
internet o naldovelho é, sem dúvida, um dos meus preferidos!!!
Líria Porto
Assim que comecei a ler os Escritores da Rede,
um nome me intrigou: NALDOVELHO
O que será que ele queria dizer com seu poema, Minha Tumultuada Biografia?
Que seria "quatro costados", "Quimbandeira", "nasci coroado"?!
Mesmo sem entender, fiquei de olho. Tudo que aparecia assinado por ele, eu lia.
Assim fui conhecendo Naldo Velho e hoje, dominando o que ele fala, posso dizer...
Com esse cortejo de Orixás, com essa comitiva de deuses, de estrelas e de
sóis de todas as grandezas era de se prever, fácil, fácil, que não se tratava
de qualquer um, de mais um, apenas, e, sim, de outro astro de primeira grandeza,
que viria, que estava chegando para brihar e espargir sua luz.
Não deu outra. Os anos passaram, como igualmente passou o cortejo de encontros
e desencontros e hoje, e agora, em seu esplendor, esse astro fulgurante, ilumina
e encanta a todos com invulgar luz própria, com destacada beleza, com inegável
sensibilidade, emoldurando lembranças, adornadas pela sabedoria, pelo aprendizado
que só os anos e os cabelos brancos são capazes de portar.
Esse o Naldo Velho, o velho Naldo que tive o prazer de encontrar nessa travessia,
via internet. E que para alegria, deleite e satisfação de todos nós que já o conhecemos
e dos que virão a conhecê-lo, vive a derramar sabedoria, experiência e vivência
com aquela classe e categoria dos que sabem, com a força de um manacial, através
de seus veros, sempre elegantes, sempre inspirados como o "Vende-se uma ilusão"
que acabo de ler e também através da música, como todos sabemos ambos,
música e poesia, fazem parte desse grande amigo.
Nessa jornada em que todos somos peregrinos, as palabras amigas, são o pão,
são a caridade, são o alimento que nutre e fortalece o espírito de todos; o substrato
que traz luz, que infunde esperança, que conforta, que serena, que afaga o espírito
cansado, mesmo que nem fiquemos sabendo disso, mesmo que não tenhamos feito propositadamente,
personalizadamente.
Amigo, com a onça adormecida, rendo minha homenagem à sua poesia, à sua arte e
a esse ser humano maravilhoso que você é!
Shalom, Rivkah Cohen
NÃO É COFRE, É CAIXA SEM TRINCOS
O que coleciona um poeta? Deve ser um tanto do que está nessa
caixa de manias, poesia de número trinta e três. Acho graça dos pedaços de quartzo
e das pedras redondinhas de beira de rio, e nem é pra usar aspas, todo poeta deve
ser guardador de um mimo assim. Mas o que me intriga não é a mania – cada poeta
com a sua, cada louco com o poema de todos. O quer seduz é a própria caixa, transparentemente
aberta, se esgotando em mais cacos brilhantes de vida. São papéis fantasiados
de palavras. É sedutora a coleção exposta do Naldo, velho amigo de confissões
ao primeiro livro. Poesia de peito aberto, ora a sangrar, a inebriar o lado esquerdo
de tantos outros. Que há muito não se colhem uns versos tão “ardidos” de ausências,
e infusos de alfazema, tatuados de rosas murchas, crisântemos, sementes. E há
tanto não se encontra na cidade um romântico de luas cheias, insônias, janelas
e musas, beijos derramados num seio.
E também nessa caixa sem trincos, um violão. Pelas paisagens do quarto, dos
mangues e avenidas de rios brancos, Naldo vai cantarolando lirismos. Parceria
com anjos travessos, obscenos, sorridentes, caídos, seus amigos no dia-a-dia.
Com que cacos-palavras, portanto, um poeta faz coleção? Nessa caixa luzidia do
Naldo, incontáveis, ao alcance. Tocar este livro com toda a nossa delicadeza.
Nele recebemos toques de “belezas tristes”. Mania bendita.
Beatriz Escorcio Chacon
O BRUXO ALQUIMISTA
Poesia é ato de coragem.
Meados de 2002. O senhor desconfiado, cofiando a barbicha, adentra
o café do Teatro Gláucio Gill. Ali, um grupo de sonhadores realiza um evento de
poesia. Ele chega tímido, mas não se faz de rogado:, violão em punho, canta e
fala versos. Canta e encanta. Pronto! A mágica e o sortilégio já estavam realizados.
Assim conheci meu amigo Naldo Velho. E o músico-poeta de Niterói mostrou-se,
também, um empreendedor. Ano seguinte, lá estava Naldo, do outro lado da ponte,
coordenando o “músico recebe poetas”, evento do qual tive a honra de participar.
Não bastassem tais proezas, ainda escreve belos poemas: centenas deles. Li,
com ternura, seus poemas e posso afirmar: Naldo é um poeta. Seus textos nos pegam
de surpresa e nos espantam pela originalidade. Algumas vezes lírico e nostálgico;
outras, erótico, cruel, quase perverso. Mas sempre generoso para consigo mesmo
e para os pecados alheios. Seus poemas intrigam, cheiram a tabaco, aguardente,
chão molhado (o chão das Minas Gerais ou da sua Niterói?), falam de vias expressas,
sirene, sereias, sinais. Uma doce alquimia: o interior e o urbano. Naldo Velho,
como já diz o próprio título do livro (Mania de Colecionador), constrói um rol
de emoções, é um inventariante de sentimentos:
“No espelho vejo marcas, linhas gastas, cicatrizes, cabelos
brancos, bem curtinhos, barba rala, já grisalha, olhos triste, marejados, algum
vestígio de coragem...”
Seus versos bastardos, como ele mesmo os define, falam de mistérios, entranhas,
feitiço, sangue, bala perdida, cicatriz e foge aos padrões estabelecidos pelo
“bom comportamento poético”.
“A sede que eu tenho já faz tantos anos, cicatrizes que eu trago,
a maioria latentes...”
“Palavra ardida é aquela que quando provocada, incendeia de
vez o poema e exorciza no peito o feitiço, cicatrizando antigas feridas...”
“Teria sido bala perdida, ou teria gravado no corpo, riscado
a faca, o meu nome?”
Seus versos em prosa (grande contradição?) escancaram portas e janelas, como
que nos convidando: entrem, tomem assento e um gole de aguardente para esquentar
o coração.Vamos conversar, falar de amargura, insônia, destino:
“Pela janela do meu quarto, mantida sempre entreaberta, eu espreito
um outono de lágrimas..”
“Pois que sejam em prosa os meus versos, inquietos, indecentes
e confessos, pois a poesia que eu trago comigo ninguém vai conseguir calar.”
O poeta é senhor da "artesania" verbal e o livro é um hino de amor
ao oficio do escritor. Aliás, a palavra poema, poesia, poeta ou verso, aparece
em quase todos os textos. É parar e conferir. A preocupação com a escrita está
explicitada em poemas como este:
“Ferida de morte a palavra se contorce, se arrasta e agoniza...
Sei não! Epitáfio nenhum tem sentido com as letras, desta forma, indispostas.
Por que a palavra foi morta? Por que tamanho castigo?”
Naldo Velho foi influenciado pela poesia de Drummond. Não esconde esse fato
de ninguém. Mas, certamente, seu anjo não é o mesmo do poeta de Itabira. Seu anjo
é docemente obsceno e sorri satisfeito para nosso poeta.
“Um anjo travesso pousou do meu lado, fez caras e bocas, revirou
meus guardados,...tirou minha roupa, bebeu nos meus lábios, deitou-se comigo,
ofertou-me um abrigo suado de orgasmo, veneno, gemidos...”
E respondendo à sua indagação: “por onde andará o poeta?” Eu acho, amigo,
que ele saiu para se encontrar com o músico e criar poemas que falem de
velhos boleros cubanos, de Buena Vista Social Club, tangos, chorinhos, “Eu sei
que vou te amar”, “Águas de Março”, jazz, blues, violão, Paulo Moura, Chico e
Tom.
“A música que eu sinto, brota feito nascente...”
Ritmo, técnica, emoção, imagens criativas, inquietação, tudo bem dosado por
um bruxo alquimista, assim é a poesia de Naldo.
Nesse mundo massificado, onde somos números em carteiras plastificadas, sua
poesia é um bálsamo. É um ato de coragem, como ele costuma falar. Leiam e comprovem.
Laura Esteves
Poeta, contista e uma das Fundadoras do Grupo Poesia Simplesmente
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