A
PEDRA E O LIMO
NALDOVELHO

Ruas,
travessas, esquinas, o carro que passa,
o som
da buzina, já faz tanto tempo,
dá cá
um abraço, um aperto de mão.
No
sobrado ao lado, alguém acena...
Muro
de pedras, cheias de limo.
Algumas
casas mudaram, já não são mais as mesmas...
As
pessoas também não!
O Bar
do Armando, agora é um depósito,
a
quitanda virou sacolão, e o armazém: oficina.
Tudo
mudado!
Eu
também mudei, já não moro mais aqui,
já não
tenho vinte anos, não me restam tantos planos
e na
possibilidade do engano, não quero virar um
depósito.
Melhor
virar oficina, vivo me ajustando,
recondicionando-me,
pra sobreviver às avarias.
Incomoda-me
a proximidade da pedra,
assusta-me
a possibilidade do limo.