Tracei com um compasso uma circunferência
e dentro dela semeei palavras plenas.
Cuidei que enraizassem
para que depois de frutificadas,
pudesse eu colher palavras tenras,
de suave fragrância e doce sabor.
Colhi a palavra ternura,
a palavra carinho e a palavra amor.
Passado algum tempo,
assim, como, por acaso,
percebi quê, por ali, também brotavam
apesar do cuidado e trato,
palavras ácidas, amargas, ásperas,
que por mais que eu lhes recusasse a colheita,
espalhadas pela circunferência,
formavam frases estranhas,
numa tentativa de versos,
que eu chamaria de perversos,
pois ervas daninhas que eram
teimavam em mostrar solidão.