A marcha angustiante do tempo, vento que venta apressado e revira meus guardados... Coisas espalhadas por todo o quarto.
Prefiro brisa macia, prenúncio de calmaria, relógios guardados, de preferência quebrados, no fundo de uma gaveta qualquer.
Quero caminhar nostalgia, respirar mansamente poesia, manhãs sonolentas de outono e quem sabe ficar ao teu lado?
Não quero a espera nervosa por um trem que só vive atrasado, chegadas, partidas, começar de novo, sabendo antecipadamente do meu fim.
Quero o silêncio dos inocentes e a eternidade daquele instante. Quero a madrugada complacente, e a cumplicidade desta vida, lua cheia e desinibida, um café tomado sem pressa com música suave ao fundo. Quero tardes mornas e chuvosas, com cheiro de terra molhada, caminhar despreocupado pelas ruas, sem medo de te perder.
Não quero a lágrima disfarçada em poemas escritos saudosos, ainda que sejam tão belos, sangram toda vez que eu tento cicatrizar feridas antigas, mesmo que eu tenha feito por merecer.
Quero voltar ao passado, ou então renascer ao teu lado, sabedor dos meus muitos enganos, poder acertar dessa vez.