Na porta da frente: rastros,
vestígios de passos, sinais evidentes,
tentativas frustradas, tranqüilidade aparente,
um ramalhete de flores depositado num canto
e um aviso ostensivo: favor não perturbar!
Na porta ao lado: silêncio...
Fechadura emperrada, inquietude, loucura,
diferentes escolhas, algumas erradas,
um vaso de plantas, sob o vaso uma chave
e um aviso pendurado: saí, mas volto já.
Na frente da casa:
muro de pedras tão cheias de limo,
na caixa do correio, correspondência lacrada,
faz tempo entregue e não recolhida,
simplesmente esquecida.
Na casa das coisas: lembranças doídas...
Faz tempo eu evito mexer nos guardados,
faz tempo eu não deixo brotarem os versos.
Poesia em recesso, calmaria, sossego,
assim eu proponho e um aviso enorme
pendurada no portão: cão feroz te aguarda,
melhor não ousar