Sou feito ventania que varre do chão a folhagem, que carrega pras terras distantes: sementes, mensagens urgentes, cantigas, memórias, poemas, inquietudes colhidas da vida, miragens, sonhos e ilusões.
Sou quem pelos caminhos procura a fonte de tanta loucura... Sou um andarilho, um viajante sem porto, sem pátria e abrigo. Sou feito corredeiras de um rio, que pela força das águas invade, terras estranhas, selvagens e que ao alargar em seu curso as fronteiras altera toda a paisagem, e por mais que não se queira, trago comigo a renovação.
Sou também clarão de lua cheia que em noite trevosa ilumina quem pela vida campeia, sou quem por pura magia ensina ao viajante o caminho que vai levá-lo a um abrigo para que, após o repouso preciso, possa seguir a jornada traçada para a sua evolução.
Sou feito encosta, rochedo, e o mar bravio é a vida, que na arrebentação me lapida, forjando a transformação.
Sou feito rastilho de fogo que queima e renova a paisagem, que tira das entranhas
o pecado, a dor e o arrependimento, e faz explodir convulsiva a lágrima cristalizada
por tanto tempo guardada. Eu sou a revelação!
Sou feito palavra sagrada, sou chave que abre as portas, sou o descortinar dos
segredos que vão exorcizar em ti todo o medo. Eu sou o amor e a compreensão